VI Smars: setor elétrico discute, em Brasília, ações de meio ambiente e responsabilidade social

Patrimônio cultural é tema de minicurso

“Hoje, as empresas do setor elétrico brasileiro, cada vez mais, se envolvem de forma poderosa para melhorar seus processos e aumentar as receitas. Nesse envolvimento. a questão ambiental é relevante, pois vai ditar os prazos de construção e operação de empreendimentos de geração e transmissão de energia elétrica. Eu acredito que é fundamental um planejamento integrado, com a participação de todos os agentes envolvidos, para que possamos avançar nesse quesito. Sem esse plano integrado vamos continuar trabalhando de forma isolada e vertical, em vez da transversalidade, que seria o ideal. Essa avaliação estratégica integrada deveria ser feita, inclusive, antes dos leilões, principalmente a componente indígena, que não nos tem permitido avançar no licenciamento ambiental de grandes empreendimentos. Que este Seminário sirva também para trazer luz a essa discussão maior, tão importante nesse momento para toda a sociedade brasileira”.

A afirmação é do diretor-presidente da Eletrobras Eletronorte, Josias Matos de Araujo, ao abrir, neste dia 24 de março, em Brasília, o VI Seminário Brasileiro de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do Setor Elétrico, que reúne até amanhã, dia 25, 150 técnicos de diversas concessionárias de produção, transmissão e distribuição de energia elétrica.

As primeiras sessões técnicas abordaram assuntos como hortas comunitárias, programas de comunicação e relacionamento, e aquicultura e conservação da ictiofauna. A Copel, por exemplo, apresentou seu programa de hortas sob linhas de transmissão, que trata da segurança alimentar de 90 famílias carentes. Já a Light trabalha com as comunidades cariocas próximas às unidades de polícia pacificadora, as UPPs, para diminuir as perdas, aumentar receitas e melhorar o relacionamento com seus consumidores finais.

Interessantes também os trabalhos apresentados pela EPE e Energisa Sergipe, com destaque para as ações de comunicação. No primeiro caso, junto às comunidades afetadas pela Hidrelétrica Castanheira e que, pela primeira vez no setor elétrico, conseguiu colocar a comunicação com os diversos atores envolvidos como estratégica desde as primeiras etapas dos estudos de viabilidade. No segundo caso, a gestão socioambiental deixa os muros da empresa para chegar às comunidades, utilizando formas diferenciadas de comunicação para ações como tratamento de resíduos e segurança em linhas de transmissão.

Itaipu apresentou trabalho sobre a produção aquícola no lago da Usina, com potencial de produção de até sete mil toneladas de pacu por ano, com a capacitação para a criação em tanques-rede junto a 600 pescadores e 135 famílias indígenas. Já a ictiofauna ameaçada do Rio Paraíba do Sul foi tema da apresentação da Cesp.

Finalizando as apresentações da manhã do dia 24 de março, Abradee e Copel discorreram sobre as análises de óleos isolantes utilizados em transformadores de distribuição e o Ministério de Minas e Energia sobre o monitoramento dos procedimentos de licenciamento ambiental a partir de uma articulação institucional.

Minicurso – Os participantes do VI Smars tiveram a oportunidade de, no domingo passado, dia 23 de março, ouvir as palestras dos doutores Solange Caldarelli e Carlos Eduardo Caldarelli  sobre o patrimônio cultural arqueológico, material e imaterial brasileiros. Como se sabe, o setor elétrico é um dos que mais investem em salvamento arqueológico em áreas onde são instaladas usinas hidrelétricas e linhas de transmissão.

Segundo a Dra. Solange, arqueologia é “a interpretação da cultura material sem a obsessão pelos restos, mas coletar, estimar e interpretar essa cultura para que ocorra a transformação do conhecimento em valores para a sociedade”.

Agência Eletronorte, por Alexandre Accioly

Um comentário

  • Responder
    Virginia
    março 26, 2014

    Gostaria de saber se será editada uma revista da eletronorte exclusiva para os temas discutidos no VI Smars considerando a relevância do mesmo para toda empresa.
    Também gostaria de saber se podemos ter a gravação dessas apresentações na íntegra por temática.