Programa investe na energia solar em comunidades indígenas

O Brasil avança para favorecer a implantação de sistemas de energia solar fotovoltaica, sobretudo após a edição da Resolução nº 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabeleceu as condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuídas aos sistemas de distribuição e de compensação de energia elétrica, e da realização de leilões específicos. O primeiro leilão exclusivo para energia solar aconteceu no final de 2014. Na ocasião, foram contratados 1.048 MW de energia solar para início de operação em outubro de 2017. Para este ano, são esperados mais dois leilões específicos da fonte.

DSC03260Experiências com bons resultados não faltam. É o caso do projeto de energia solar fotovoltaica desenvolvido pela Eletrobras Eletronorte nas comunidades indígenas Waimiri Atroari, no Amazonas, e Parakanã, no Pará. Voltadas para o atendimento às comunidades isoladas, os sistemas offgrid de geração são uma opção ambientalmente sustentável e menos onerosa.

São 159 sistemas montados, com 1.500 placas de energia solar fotovoltaica e 571 baterias de 150 amperes. A geração por hora é de 45.426 W, totalizando mais de 8 milhões de Watts num mês. “Nós optamos pela energia solar como matriz energética para as comunidades indígenas por ser o sistema mais próximo e natural das atividades indígenas. A alternativa seria utilizar geradores com a queima de combustível, mas energia solar é muito mais próxima à atividade sustentável”, explica o indigenista José Porfírio Fontenele de Carvalho.

Os sistemas solares começaram a ser implantados há cinco anos na aldeia Parakanã e são fundamentais para garantir, sobretudo, melhores condições de saúde e educação. Além das casas, a energia solar abastece as geladeiras utilizadas pelo serviço médico no armazenamento de medicamentos, soros e vacinas, assim como pelos dentistas. Os nebulizadores também são muito utilizados para combater a gripe entre as crianças. A energia solar também garante o funcionamento dos projetores nas escolas, bem como o abastecimento do sistema de bombeamento de água para a aldeia.

Sistemas solares semelhantes foram implantados nos Waimiri Atroari, com a diferença de que esses não querem energia nas suas casas. O projeto implantado nos Parakanã contou com 90% dos recursos financiados pela Eletrobras Eletronorte e 10% com recursos da própria comunidade, beneficiando mais de mil pessoas. Nos Waimiri, 50% das placas são adquiridas com recursos próprios dos índios, que totalizam 1.807 indivíduos.  ”Essa energia é mais do que fundamental, é muito importante por causa do processo educativo do uso de energia”, acrescenta o indigenista.

Agência Eletronorte, por César Fechine

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