UHE Coaracy Nunes, 40 anos: as primeiras operadoras

Amapá – A história dos 40 anos da Usina Hidrelétrica Coaracy Nunes foi e está sendo escrita por muitas mulheres. Numa área comumente de predominância masculina, ganhou relevância a contratação das duas primeiras operadoras da Hidrelétrica, aprovadas em concurso público há pouco mais uma década.

Karen Marília Tito e Lívia Paiva, chamadas em 2005, logo participaram da Formação de Operadores em Tucuruí, no Pará, onde, juntamente com outros colegas, passaram mais de três meses de treinamento. Antes de assumirem o turno, fizeram também o estágio supervisionado na Hidrelétrica Coaracy Nunes. Até mesmo o banheiro, antes apenas masculino, precisou ser construído para recebê-las.

Karen Tito é quem conta um pouco da trajetória das duas primeiras operadas da Usina, e lembra também do período de estágio e prestação de serviço na Regional do Amapá. “Fomos muito bem recebidas pela equipe de Operação de Coaracy Nunes, tanto eu quanto a Lívia. O coordenador da Operação na época, Agnomar Macedo, não fez nenhum tipo de distinção por sermos mulheres, sempre nos orientando de como era a função e a importância dessa função em uma usina”, afirma.

Karen 3

Karen: “O que não muda para mim, até hoje, é aquela sensação de ver uma máquina hidráulica partindo. Escutar o barulho da coluna de água quando o distribuidor abre, e observar a unidade geradora saindo da inércia até atingir sua velocidade nominal. Não canso de acompanhar!”

A entrevistada revela que conheceu a Eletrobras Eletronorte quando estava terminando o Curso de Técnica em Informática, pelo então Centro de Educação Profissional do Amapá (CEPA), com a divulgação de estágio na Regional. “Passamos por todo um processo seletivo, que era diferente do processo unificado que acontece hoje, sendo chamada para estágio no ano de 2002. A primeira pessoa que conheci na empresa foi a dona Iaci, da área de pessoal”, conta ela, referindo-se a Iaci Martins de Pinho. Após o processo Karen foi selecionada e estagiou na área de Educação e Treinamento. “Na época essa área era ligada ao gabinete da Regional, e por isso também fiquei junto à área de Comunicação”, relembra.

Depois do estágio, mudança de rumo

Na época Karen também estava concluindo o curso de Licenciatura Plena em Matemática na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), e como toda jovem profissional, buscava experiência. “É interessante como a escolha de um estágio e seus coordenadores pode mudar toda a direção profissional de uma pessoa, pois como as minhas coordenadoras de estágio me deram muitas oportunidades de aprendizagem, acabei aprendendo o que significava a Eletronorte em toda a sua extensão. Agradeço a Magna Drago e Maria Raimunda por todas as oportunidades durante o meu período de estágio”, reconhece ela.

Em 2002 a futura Operadora viu pela primeira vez a Hidrelétrica do Paredão. A Regional estava se preparando para certificação no Prêmio de Excelência em TPM e ela acompanhou Magna Drago em uma visita na Usina. “Quando passamos da guarita de entrada e olhei para Usina, achei um lugar lindo, cercado de muitas áreas verdes. E quando ocorreu a Auditoria Final para Certificação eu também estava presente no auditório da Usina”. Em 2005 Karen foi convocada por meio de concurso público.

O coordenador de Operação da Hidrelétrica Coaracy Nunes, Agnomar Macedo, decidiu com quem cada uma das duas primeiras operadoras da Usina deveria trabalhar. “Ele me disse que tinha escolhido um colega de turno que cobrava bastante de quem trabalhava com ele, um operador que às vezes era muito sério. Pensei comigo mesmo: – o que foi que eu fiz de errado? Eu deveria trabalhar com Antonio Ciriaco, e o coordenador justificou: – você vai trabalhar com um dos operadores mais antigos da Usina, e que tem um grande conhecimento. Se você quiser aprender, a melhor pessoa é o Antônio Ciriaco”, conta Karen.

Saudade e aprendizado

A jovem operadora agradece ao coordenador, até hoje, por ter escolhido como colega de turno o Ciriaco. Foram quase quatro anos trabalhando juntos, e foi sob a supervisão dele que Karen realizou a primeira partida de máquina, sincronismo e parada de unidade geradora. “Foi ele também a primeira pessoa que disse que eu deveria pensar em ser coordenadora da Operação. Na época, eu ri. Em 2012 eu assumi a coordenação da Operação da UHCN, estando até hoje. E ele me falou: – Eu não disse! Mas em 2013 vivi um dos momentos mais tristes na Usina, com o falecimento do Ciriaco, mas seus ensinamentos continuam até hoje”, declara a colega.

Segundo a operadora, a partir de 2009 a Eletronorte Amapá decidiu partir para conquista do Prêmio Consistência em TPM.  “A auditoria iniciou pela UHCN, e vejam como é interessante o ciclo da vida. Em 2002 participei da certificação como estagiária, e agora seria minha responsabilidade apresentar a Usina e conduzir toda a visita dos auditores. Foi um grande desafio e uma grande conquista”, conta orgulhosa a coordenadora de Operação.

“Acompanho as visitas dos estagiários da Eletronorte e de estudantes do Projeto Usina do Conhecimento. É gratificante quando eles perguntam pelo processo de geração de energia e sobre a história da Hidrelétrica Coaracy Nunes. Ficam surpresos em saber que os profissionais da Usina são, na maioria, amapaenses, e que mulheres fazem parte da força de trabalho. Mas o que não muda para mim, até hoje, é aquela sensação de ver uma máquina hidráulica partindo. Escutar o barulho da coluna de água quando o distribuidor abre, e observar a unidade geradora saindo da inércia até atingir sua velocidade nominal. Não canso de acompanhar!”

Agência Eletronorte, por Oscar Filho/Amapá

 

Um comentário

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    JORGE
    março 2, 2016

    Tive a oportunidade e o privilégio de participar como instrutor, na formação da turma de operadores, na qual a Karen e a Livia e mais as 3 operadoras que foram lotadas na UHE Tucurui fizeram parte. O curso de formação foi no Centro de Treinamento de Tucurui, sob a coordenação do Orlando Zarlenga. Foi uma grata surpresa para mim saber que a empresa estava quebrando um grande paradigma ao introduzir a presença feminina no turno de operação. Hoje vemos, com grande satisfação, a qualidade do trabalho por elas exercido dentro da empresa.