Depois de vendaval, equipes recuperam quatro torres de alta tensão em Mato Grosso

Ventos que ultrapassaram os 120 km/h causaram destruição nas proximidades de Lambari D’Oeste.

Energização foi concluída antes do prazo

 

Ago Recomposicao Torre - Dia 1 (102)Mato Grosso – Quatro torres de alta tensão da Linha de Transmissão Várzea Grande – Jauru 230 kV – circuitos I e II – caíram nas proximidades de Lambari D’Oeste (210 km de Cuiabá), na tarde do sábado, 20. A queda foi ocasionada por um vendaval que assolou a região. Apesar do incidente, não houve corte de carga de energia elétrica pela Eletrobras Eletronorte, em função do atendimento por outras fontes do Sistema Interligado Nacional (SIN).

As estruturas, de 40 metros de altura e compostas por aço galvanizado, pesam cerca de sete toneladas cada. Segundo a equipe de Linhas da Regional de Transmissão de Mato Grosso, as estruturas metálicas suportam ventos de até 120 km/h. A última queda de torres da Eletronorte, registrada no Estado, ocorreu em 2006, no município de Alto Garças.

Conforme relatório de ocorrência apresentado pela equipe responsável, o sinistro ocorreu nas torres 633, 634, 635 e 636. As três primeiras tiveram de ser reconstruídas desde a base, e a última apenas a torre básica. Ao longo do serviço também foi verificada uma irregularidade de menor porte na torre 637.

Durante a ocorrência, a equipe de telecomunicações também esteve presente para verificar possíveis danos ao cabo OPGW, responsável por atender os clientes dos provedores de internet e operadoras de telefonia e sistemas de teleproteção da LT VDJU LI6. Segundo o técnico em telecomunicações Marcelino Tomás, caso a ocorrência atingisse a torre que contém a caixa de emendas de fibra óptica, haveria consequências em outros estados.

“A caixa de emenda está na torre 632, que não sofreu dano. Por isso, a transmissão de dados de telecomunicação ao Acre e Rondônia não foi afetada. Após a energização da Linha, iremos à Divisão de Transmissão de Jauru, para realizar os testes de potência e atenuação, e verificar se houve alguma alteração”’, destaca.

IMG_8174A interação entre as Regionais é imprescindível nas emergências”

Acre, Rondônia, Maranhão, Pará, Tocantins, Roraima e Brasília enviaram representantes para auxiliar na recomposição das estruturas danificadas em Mato Grosso. A ajuda foi primordial para o sucesso da ação, que contou com a presença de cerca de 100 pessoas. Os colaboradores foram divididos em equipes para recompor as estruturas de forma simultânea. De acordo com o coordenador da Equipe de Linhas de Transmissão, Renato Oliveira, o objetivo era agilizar o processo de recomposição. “Acionamos as outras Regionais porque, para esse tipo de serviço, o quadro da Equipe de Linhas de Mato Grosso não seria suficiente. Não é fácil ficar uma semana longe de casa, sem hora de dormir e com horário para acordar. Espero que encontremos novamente essa equipe, mas em outras situações, que não emergência”, afirma.

A equipe do Pará enviou nove eletricistas de Linhas para a ocorrência. Segundo o coordenador, Jimmisson Levi Monteiro Oliveira, a interação entre as Regionais é imprescindível nas emergências. “Sempre há essa interação entre as Regionais na realização de algum serviço mais complexo. Mas além do quadro de pessoal, a estrutura da Regional de Mato Grosso ajuda muito o trabalho”, destaca.

A estrutura destacada pelo engenheiro é o Atendimento de Emergência em Linhas de Transmissão (AELT) da Divisão de Transmissão de Rondonópolis (OMTR), que consiste em um caminhão baú com 209 itens necessários na montagem de torres de alta tensão – linha morta, um gerador de energia e uma bancada de fabricação de peças.

Segundo o idealizador do projeto, Wilson Malheiro, a iniciativa tem proporcionado resultados positivos à equipe e ao Sistema Elétrico. “Durante o atendimento a emergências, é necessário um grande número de ferramentas. Em 2006, iniciamos esse projeto e hoje guardamos no baú grande parte dos materiais que precisamos, mas ainda acho que pode melhorar. Depois dessa ocorrência vamos reunir a equipe e elencar o que precisamos otimizar”, afirma.

Paulo César, eletricista de Linhas da Regional de Transmissão de Rondônia, acredita que a situação mostra oportunidades de melhoria. “Todas as Regionais precisam estar preparadas para atender esse tipo de emergência. Temos que nos sensibilizar para adquirir um grupo gerador e toda essa estrutura que encontramos aqui”, afirma.

IMG_8273Equipes de Apoio

Além dos profissionais da área técnica, a ação contou com equipes de apoio. O Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) trouxe os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para fornecimento aos colaboradores. Segundo o coordenador, Paulo Coutinho, a área se responsabilizou por mais ações. “Foram realizadas duas reidratações diariamente, fornecimento de protetor solar, inspeção de condições de risco, e algumas intervenções para minimizar risco de acidentes durante as atividades”, destaca.

Uma equipe de atendimento de saúde foi contratada e os colaboradores estiveram amparados por uma ambulância, um enfermeiro e um socorrista, a todo instante. A área de Telecomunicações montou um sistema de repetição de celular com duas antenas de telefonia e sete rádios portáteis, por frequência VHF. A OCGA/MT idealizou a logística de alimentação, hospedagem, fornecimento de água e demais meios de assistência às equipes.

Ao todo, houve o apoio de 24 motoristas que prestam serviço à Eletronorte em Mato Grosso e dois da Regional de Transmissão de Rondônia. A Assessoria de Comunicação realizou a cobertura fotográfica e jornalística de toda a ação.


IMG_8373Energização antes do prazo legal

Às 21h10 do domingo, 28, foi reenergizado o último circuito da Linha VDJU LI6 230 kV, pelo horário oficial do Operador Nacional do Sistema (ONS). O trabalho de recomposição, que durou sete dias, foi concluído cerca de 40 minutos antes.

O gerente da Regional de Transmissão de Mato Grosso, José Martins do Prado, agradeceu a todas as equipes que participaram. “Temos representantes de nove das dez Regionais e agradecemos a todos por podermos entregar a Linha em tempo hábil. Tínhamos um prazo para atender o ONS e conseguimos cumprir. Mesmo sendo à noite e com chuva, todos estavam empenhados. Estendo o meu agradecimento à TME e à equipe do José Moura, que também deram apoio na ação. A integração e a troca de experiências foram muito importantes”, destaca.

O engenheiro da Gerência de Equipamentos e Linhas de Transmissão (OETL), Eugênio Pacelli, também elogiou a todos que participaram. “Pelas regras da Aneel teríamos 12 dias para reestabelecer e conseguimos em oito. Todos estão de parabéns pela dedicação, pelas iniciativas individuais e de grupo, toda essa integração entre várias Regionais foi muito importante”, afirma.

Em nota, Ricardo Rios, assistente da Diretoria de Operação; Paulo Veloso, superintendente de Engenharia da Manutenção da Transmissão; e Monica Braga Teixeira, que está respondendo pela Superintendência de Engenharia de Operação do Sistema, destacaram a contribuição de todas as Unidades Regionais e da Sede, que não mediram esforços para mobilizar profissionais dos seus quadros para a força tarefa. “Cabe ressaltar que o assunto foi destaque na reunião do Bom Dia O&M na manhã desta segunda-feira, 29, e na oportunidade foram dirigidos agradecimentos, também, às Diretorias de Gestão e Engenharia que solidariamente estiveram a postos, por toda a semana, para contribuir e apoiar onde e como fosse necessário”, afirma a nota.

O diretor de Operação da Eletronorte, Willamy Moreira Frota, elogiou o comprometimento demonstrado pelas equipes. – “O quadro técnico da nossa Empresa é reconhecido nacional e internacionalmente pela dedicação e, sobretudo, pela qualidade dos resultados que apresentamos. Essa força tarefa é mais um exemplo de que podemos unir esforços, superar desafios e manter a nossa caminhada em busca da excelência”.

IMG_8506Moradores relatam momento de vendaval em vila

 Além das torres de alta tensão da Eletronorte, a vila São José do Pingador, distrito do município de Lambari D’Oeste, também foi afetada pelo vendaval ocorrido na tarde do sábado, 20, e teve árvores arrancadas desde a raiz, além de casas e currais destelhados. O fenômeno da natureza assustou os moradores, que tem uma opinião unânime: jamais haviam visto tamanho estrago.

A situação mais crítica foi encontrada no Sítio Santa Rita, propriedade mais próxima da Linha de Transmissão. A plantação de 1.500 pés de Paus de Balsa foi parcialmente perdida. Avistando a mata, o proprietário Sr. José Borges ainda parecia não acreditar.

“A gente gastou muito com isso aí, mas ainda nem parei para pensar no prejuízo. Estamos aqui desde 2001, e o maior estrago foi esse de agora. Começou a trovejar, ventar e de repente veio um estouro. Na hora a gente gritou muito, entramos pra dentro de casa e ajoelhamos pra Deus”, afirma.

As telhas de parte da garagem e do curral também não foram poupadas. Algumas ainda estão pelo chão. Próximo à cerca da propriedade, uma árvore Tamboril, de cerca de 10 metros de altura, foi arrancada pela raiz.

Preparada para assistir as Olimpíadas, a dona de casa Osvaldina Nunes teve de mudar a programação. O vendaval arrancou telhas de todos os cômodos da residência onde mora, localizada mais ao centro do vilarejo. “Eu passei muito medo, porque faltou cair (telha) na cabeça da gente. Eu fiquei em cima da cadeira, pernas tremendo, minha sobrinha chegou e ajudou a limpar toda a água”, declara.

Agência Eletronorte, por Nágera Dourado/Mato Grosso

3 Comentários

  • Responder
    Rosani
    setembro 5, 2016

    Parabéns Equipe da Transmissão pelo trabalho realizado, que com certeza, envolveu muito comprometimento e paixão.

  • Responder
    Sônia
    setembro 5, 2016

    Parabéns aos envolvidos pela competência e espírito de equipe que resultou na recuperação rápida das torres. o momento deve ser aproveitado por todas as Unidades Regionais para verificarem se suas logísticas estão 100% para enfrentarem um sinistro dessa natureza.

  • Responder
    jose luis
    setembro 27, 2016

    imagino o sufoco, este final de verão está meio brabo cumpade.

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