Em Tucuruí, Assurini conhecem a Unidade de Propagação e Conservação de Plantas

Uma comitiva formada por representantes do povo Assurini da Terra Indígena Trocará visitou no mês de fevereiro a Unidade de Propagação e Conservação de Plantas, Horto Florestal da Eletrobras Eletronorte (UPCP). Essa é a primeira vez que representantes dos Asurini visitam a UPCP para conhecer os processos de colheita, beneficiamento e produção de mudas de espécies que são doadas para reabilitar o ecossistema da região.

Segundo o engenheiro florestal e indigenista, Eduardo Gusson, a visita serviu ainda para que o povo indígena inicie um dialogo com os técnicos da Empresa para compartilhar e complementar os saberes tradicionais com técnicas dos não indígenas.

DSC_0069Pirá Asurini, presidente da Associação Indígena do Povo Asurini do Trocará (AIPAT), falou que a visita técnica vai auxiliar no manejo futuro de plantas nativas que serão usadas para recuperar áreas degradadas ou alteradas dentro da zona de reserva do Trocará.

“O objetivo é recompor a vegetação destas áreas com sistemas que produzam alimentos e outros recursos florestais não madeireiros para comercialização e geração de renda”, explica Eduardo Gusson.

Todo o processo de produção de mudas e conservação de sementes foi explicado aos visitantes pela colaboradora Jhuly Themis. Além das instalações da UPCP os visitantes conheceram ainda os laboratórios e o viveiro capaz de armazenar até 120 mil mudas de espécies nativas como açaí, paricá, ingá, pau-rosa, cupuaçu, copaíba, ipê e mogno.

Essas plantas são produzidas pela Eletrobras Eletronorte, por intermédio da Superintendência de Geração Hidráulica (OGH), e são doadas periodicamente a produtores, entidades e associações locais e estão ajudando a reflorestar a região do lago de Tucuruí.

Reflorestamento

O indigenista Eduardo Gusson explica ainda que o projeto de reflorestamento da região do Trocará é financiado pela empresa Isolux Corsan e tem por objetivo apoiar o povo Asurini na construção participativa de propostas de melhoria da segurança alimentar e geração de renda, por meio da agricultura e do extrativismo, e para isso, o conhecimento técnico para o manejo da agrobiodiversidade e da gestão ambiental do território é essencial.

O projeto quer implantar cerca de 40 hectares de sistemas agroflorestais, com o plantio de espécies frutíferas regionais como cacau, cupuaçu, coco, açaí, bacuri, castanha do Pará, manga, goiaba, acerola, graviola e cajá, além de outras para uso comercial como andiroba e copaíba, ou usadas em rituais, como o jenipapo, e de “adubadeiras”, como as leguminosas favas, timboril, ingás, feijão-guandu, crotalária e demais alimentos como a mandioca, a macaxeira, o milho e o feijão. “Assim estamos ajudando a construir mecanismos para o fortalecimento institucional do povo Asurini para consolidar a gestão de interesses e representações comunitárias, assim como viabilizar a comercialização de produtos agroflorestais pela comunidade”, observa o indigenista.

Participaram da visita os líderes Muru Asurini (aldeia Mararitawa), Pirá Asurini (presidente da AIPAT – , Aderbal Tembé (representante da etnia Tembé e morador da Terra Indígena do Trocará).

Agência Eletronorte/Tucuruí

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