Projeto da Terra São Marcos é premiado pelo BNDES

A Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos (APITSM) foi uma das instituições vencedoras do Prêmio de Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais (SAT). Instituído pelo Banco Nacional de Desenvolvimento social e Econômico (BNDES), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), o Prêmio é um reconhecimento às práticas, instituições e grupos sociais que realizam atividades que preservam tanto a biodiversidade local, quanto sua cultura e o meio ambiente.

O projeto premiado é o de cultivo milho crioulo, um tipo não industrializado, adaptado ao local de desenvolvimento e sem custo para produção. A principal diferença para o milho industrializado é que o crioulo não precisa de agrotóxico nem de fertilizantes, o que deixa a sua produção mais barata e não degrada o meio ambiente.

Paulo Pereira, coordenador da APTISM, diz que a premiação fortalece a luta dos povos indígenas. “A parceria com a Eletronorte é muito importante porque possibilitou a formação da Associação. E a gente está buscando justamente reforçar essa parceria”.

O denominado Programa São Marcos foi formalizado pela Eletronorte em março de 1998 com a comunidade da Terra Indígena São Marcos, com interveniência da Fundação Nacional do Índio (Funai), localizada nos municípios de Boa Vista e Pacaraima, em Roraima, com uma área correspondente a 654.110 hectares. Atualmente, vivem em São Marcos aproximadamente oito mil pessoas das etnias Macuxi, Taurepang e Wapixana, distribuídas em 46 comunidades.

O Programa foi instituído como compensação pelo implantação da Linha de Transmissão (LT) 230 KV Santa Elena – Boa Vista que compõe a interligação elétrica Venezuela/Brasil, em uma faixa de 63 km de extensão no sentido norte sul, margeando a BR-174 no estado de Roraima. O empreendimento tem como finalidade o abastecimento de energia elétrica na capital do Estado, Boa Vista.

Entre as ações implementadas estão o apoio a projetos comunitários, fortalecimento institucional das organizações indígenas de Roraima, construção de postos de vigilância, assistência social, projeto de agropecuária em fazendas coletivas de criação de gado, apoio à educação por meio de bolsas de estudos, saúde, além da compra de equipamentos e veículos para o desenvolvimento de atividades. Os projetos são elaborados por meio de oficinas realizadas com as comunidades, com o apoio de técnicos da Eletronorte, Funai e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A Eletronorte já repassou à comunidade São Marcos um montante de R$ 6,7 milhões. Em reunião realizada em junho com o superintendente de Meio Ambiente, Jader Fernandes de Jesus, foi assinado o termo aditivo que prorroga por dois anos e destina mais R$ 3,1 milhões ao Programa. Pelo Prêmio do BNDES, a Associação indígena recebeu uma quantia de R$ 50 mil.

César Fechine/Agência Eletronorte.

 

Sobre o autor  ⁄ cesar

Sem comentários